quinta-feira, fevereiro 26, 2004

carnaval

Com perdão dos puristas, mas carnaval aqui em Sanfra foi PHODA!!!
Como vcs viram no post do André, teve a viagem pra Seattle, foi tudo um barato e coisa e tal, mas o que eu queria mesmo era sair na Império Serrano. AI QUE DOR DE COTOVELO...
Tava tão dolorido e sofrido estar aqui longe da folia (que eu mais amo na vida) que no domingo, dormi de 2pm as 6h45pm. Mó deprê!! Na segunda e na terça, eu e Sofia vimos alguns desfiles que o Carlos e a Dani gravaram. Vontade de cortar os pulsos, choradeira... E tb planos pro futuro: já que o André não me deixa desfilar de purpurina, quero sair de baiana, rodopiando pela avenida. Um dia chego lá!
Ainda pra piorar a deprê, Marília e Flávio se despediram e partiram de mala e cuia rumo ao Rio. Sábado eles estarão no posto 9. E a gente aqui, chorando de saudades. Calma, eu segurei a onda. Chorei escondida no banheiro... Eles levaram um pouco da alma carioca que anda por aqui. Mas, em breve nos vemos...
E ainda teve uma nota curiosa: caiu um pé d'água ontem que durou horas. De manhã cedinho, qdo peguei o Bart, chovia de lado e faltou pouco pra eu sair voando que nem Mary Poppins... A garagem do Carlos e da Dani ficou alagada. Fala sério! Ninguém merece!!

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

Busca de Estágio e Comemoração

As duas últimas semanas foram muito intensas na busca por emprego. Felizmente, acabaram com um final muito feliz! Ainda não sabemos exatamente o final, mas já sabemos que será muito feliz!

Na quinta-feira passada, tive o primeiro round de entrevistas com a Delloite, uma empresa de consultoria excelente para trabalhar. Consegui fazer o case muito bem (era uma case interview), e fui para o segundo round, já no dia seguinte. No Segundo round o meu case foi bom mas não foi excellente. Resultado: não consegui o emprego :-(. O impressionante é o ritmo do processo: em dois dias, dois rounds de entrevistas e resposta sobre os dois!

Não deu tempo de descansar muito: no domingo peguei um vôo para Nova York, onde tinha a entrevista para a McKinsey, escritório de São Paulo / BTO. BTO é a parte que trata de tecnologia em Business: ou ajudando empresas de tecnologia, ou ajudando empresas a usar tecnologia efetivamente. Cheguei em Nova York tarde da noite, me instalei no hotel, que felizmente era a 30 metros da empresa. O hotel era um luxo só!

O ciclo da McKinsey é ainda menor: de manhã, primeiro round; meio-dia, feedback; de tarde, segundo round ou turismo em Nova York, dependendo do seu desempenho de manhã... Na hora do feedback, fica todo mundo sentado numa mesa, e a pessoa do RH vem chamando um por um para uma conversa de pé de ouvido em outra sala. Depois da conversa, ou a pessoa volta para a sala anterior, ou vai embora.

É uma experiência e tanto, mas também é um massacre: no meu grupo, de 12 do primeiro round, ficaram só 4. Lembra um reality show que está fazendo sucesso por aqui: “The Apprentice”, com o Donald Trump de chefe e dois times de candidatos a executivo. No fim de cada episódio, o time perdedor tem uma reunião com o chefão, que sempre conclui com as mesmas palavras: “You’re fired”, dirigidas ao candidato que vai para casa nesta semana. E o pior é que agora, não posso fazer nada de errado que a Lívia já vem: “You’re fired!”

Fiz o segundo round da McKinsey, e achei que havia me saído bem. Peguei o vôo de volta para Berkeley numa correria danada, e cheguei em casa cansadíssimo, depois de um dia intenso, e de uma viagem de 10hs, porta a porta. Cheguei em casa à uma hora da manhã. Mas, uma coisa bem legal deste processo é que eu conheci vários brasileiros de outros MBAs: os 12 caras que foram eram brasileros. Eu de Berkeley, uns 5 ou 6 de Harvard e uns 5 ou 6 do MIT.

No dia seguinte, de volta a SF, recebi feedback da minha entrevista da Microsoft: eles me convidaram para uma entrevista em Seattle: segundo e decisivo round, apenas quatro dias adiante. A sensação que dá é um misto de entusiasmo e excitação com frio na barriga. Entusiasmo, pois chegar ao segundo round da Microsoft já é uma grande vitória, pois é muito concorrido. Frio na barriga porque é uma vitória que não dá prêmio: se você não consegue o emprego, a diferença prática entre chegar ao segundo round e não ser nem chamado para a primeira entrevista é muito pouca... Para complicar, as entrevistas de último round da Microsoft são muito difíceis, e há muita preparação a fazer. Quando a Microsoft chama para segundo round, ela manda informação sobre quais as posições que você está concorrendo. Por exemplo, eu estou concorrendo há uma vaga de product manager de exchange server, onde devo fazer uma avaliação deste produto no mercado de pequenas e médias empresas; e há uma vaga de Business Development no Office, onde vou fazer parte de um grupo que passa todo o tempo discutindo a estratégia de mercado dos produtos do office. É preciso se informar em detalhes sobre estes produtos, para discutir com os entrevistadores. E eles só avisam quais os produtos bem em cima da entrevista (um ou dois dias antes).

Além do estudo para a entrevista, precisamos cuidar da logística da viagem: resolvemos que a Lívia iria junto. Afinal, queríamos conhecer a cidade onde podemos talvez passar um verão (e quem sabe mais tempo). A Microsoft banca hotel e carro alugado por um dia adicional, para que as pessoas possam conhecer Seattle. Quinta-feira de noite, eu e Lívia embarcamos! Mais uma noite em que durmi super pouco, para fazer a preparação de última hora, e no dia seguinte entrevista.

A Microsoft é uma empresa em que todos os empregados têm um escritório com 4 paredes e uma porta com o nome do ocupante. Ela coloca cada candidato em um escritório, e são os entrevistadores que vão aos candidatos, e não o contrário. Duas pessoas de cada grupo (exchange e office) te entrevistam, além de uma pessoa de RH, num total de 5 entrevistas.

Minhas duas primeiras foram do Exchange e foram muito boas. Depois da segunda, enquanto eu esperava o terceiro entrevistador, a grande notícia: me telefona um sócio da McKinsey, e me faz uma oferta de trabalho para o summer em SP! Já tenho certeza que vou ter um trabalho legal no verão, alinhado com meus objetivos futuros, e isto dá uma tranquilidade sem tamanho. Concluí as entrevistas com a Microsoft, que foram boas, e partimos para comemorar!

Eu e Lívia fomos juntos para downtown Seattle, que é muito legal! Fomos ao Space Needle, que é uma torre de quase 200m de altura, de onde se vê toda a região, suas montanhs cobertas de neve, os lagos, as “boat houses” do filme Sleepless in Seattle... Vimos o pôr do sol e depois fomos jantar: Lívia achou um restaurante de fondue, chamado “Melting Pot”, onde comemos fondues de uma forma absolutamente original e deliciosa, com o garçom preparando tudo à mesa. Resolvemos enfiar o pé na jaca mesmo.
O fondue de carne, em vez de feito no óleo, é feito numa mistura de vinhos, champignon e ervas. Além disto, em vez de apenas carne, inclui ainda lagosta, camarão, cogumelos, salmão, entre outros. Nosso jantar teve fondue de queijo, salada, o fondue que descrevi acima, e fondue de chocolate. Também tomamos um Beringer, vinho de uma viícula que visitamos em Napa Valley. Uma extravagância deliciosa, a altura da comemoração que queríamos.

No dia segiunte, passeamos por Seattle. Tem um mercado chamado “Pike Place Market”, que é famosíssimo. Parece um mercado popular, tipo o de Belo Horizonte ou Salvador. Uma das barracas é a de peixe, famosa em reportagens e até tema de um vídeo motivacional. Eles têm um estilo todo peculiar de vender peixe. Quando um cliente pede um peixe, tem um peixeiro lá dentro que pega o peixe. Aí, começa uma gritaria. Quando você vê, o peixeiro de dentro joga o peixe para o que está do lado de fora, que embrulha e entrega para o freguês. O vôo do peixe é espetacular! Fora as outras gritarias, os peixes falsos que eles jogam nos clientes e uns peixes que se mexem e assustam os fregueses que estão escolhendo os peixes na bancada...

Para completar o dia, almoçamos e fomos visitar a exposição “The Experience of Music”. Ensina o basicão de alguns instrumentos em algumas salinhas em que vc pode experimentar e tocar. A Lívia tocou bateria e guitarra com o Nirvana e eu toquei guitarra e teclado com a Alanis Morisette. Outra parte conta a história do Jimmy Hendrix (que é de Seattle, mas também morou em Berkeley) e tem mais algumas coisas sobre Rock.

Agora, estamos nos aviões, voltando para casa. Estamos em vôos separados, pois a passagem da Lívia pela Southwest ficou muito mais barata... Enfim, foi um final de semana dourado. Não choveu em Seattle, o que já foi um grande feito, e eu tive uma oferta de trabalho. O que mais poderíamos pedir?

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Biblioteca

Um dos meus passeios preferidos aqui em Berkeley é ir a um dos prédios da Biblioteca Pública da cidade que fica aqui pertinho de casa. A biblioteca principal fica no centro da cidade, mas há uma das filiais que fica a uns 15 minutos a pé da nossa casa. Levei o André lá e ele tb amou.
Trata-se de uma biblioteca comunitária, com um atividade intensa de programações culturais. A qualquer hora do dia, ela está cheia. De manhã, a maioria é de idosos que vão em busca dos livros impressos com letras grandes (nunca os vi no Brasil, mas são comuns aqui nos EUA), revistas e jornais do mundo inteiro e mais CDs e vídeos. De manhã, outro público é o de crianças menores em busca dos livrinhos e programas de computador. De tarde, o que se vê é a garotada da High School. O pátio fica lotado de bicicletas e de uma galera reunida em torno de livros. Para mim, uma brasileira que estudou num dos melhores colégios do Rio em que não havia uma biblioteca, isso tudo é um espanto.
No momento, estou lendo uma série de livros escritos por um inglês que mora há mais de 10 anos na Provence, na França. Estou tentando me abastecer de histórias "reais" sobre a vida na França pra eu ir me acostumando com a idéia de irmos pra lá.
A caminhada de ida e volta até a biblioteca é das minhas preferidas aqui. Especialmente em dias de sol. É que o prédio fica na Alameda, a rua que eu mais gosto por ser ampla, duas pistas de cada lado. As casas são uma gracinha, todas com jardins e árvores frutíferas. E as árvores maiores, qdo não estão secas, fazem um arco por cima da rua. Um passeio delicioso...